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Terça-feira, 1 de Maio de 2007
Jornalismo em democracia



No dia do trabalhador, opto por homenagear os jornalistas, classe profissional que é indispensável para assegurar a qualidade do regime democrático.



A nobreza da profissão é realçada nesta conjuntura difícil, marcada pela crise económica e de mercantilização do «negócio da informação», na medida em que estas circunstâncias dificultam a independência dos jornalistas.


Neste sentido, João Miguel Tavares - jornalista -, escreveu hoje no Diário de Notícias, que «(...) Pina Moura disse mesmo que a "definição de uma orientação editorial" é "uma boa política que devia ser seguida em Portugal". Certamente que sim. Sobretudo numa altura em que temos um primeiro-ministro de esquerda a governar à direita. Quer dizer: vivemos numa época em que as ideologias se esfumaram, em que ninguém consegue vislumbrar diferenças substanciais entre PS e PSD, e agora há quem queria inventar divisões ideológicas para a comunicação social. Não brinquem comigo... (...)

Sob a capa da "transparência" o que se esconde, como sempre, é o desejo de controlar a informação que é transmitida ao público, de modo a prolongar a presença no poder. É um tique velho como o mundo, mas que agora pintou os lábios, compôs o cabelo, vestiu roupa colorida e se mascarou de "boa política editorial".

(...) o jornalismo - o bom jornalismo - sempre teve uma ideologia: ser do contra. Se o PS está no governo, é contra o PS. Se o PSD está no governo, é contra o PSD. É muito simples. Apesar de todas as falhas e de todos os compromissos, de todas as asneiras e de todas as omissões, o jornalismo é uma das mais belas e mais nobres profissões do mundo. Querer colá-lo ao combate partidário é apenas uma forma de o desmerecer e, em última análise, de o silenciar. Por isso convém relembrar, uma e outra vez, que a mordaça é para quem morde. Não é para os que denunciam quem mordeu."

Embora não assuma que o jornalismo se esgota no anti-poder, entendo que a função de informar, própria do jornalismo, permite salientar as virtudes e os defeitos do exercício dos poderes públicos, facilitando a escolha democrática e, mesmo, a administração da justiça.

Aquilo que alguns querem, pelos vistos, não será uma linha editorial ideológica, mas apenas e tão só a defesa de alguns que se encontram no poder político - independentemente de quaisquer fins ideológicos ou estritamente políticos -.

Um bom jornalismo, praticado num país com hábitos de leitura e de consumo da informação, contribui para o desenvolvimento da comunidade em que é praticado.

É fácil descobrir o que deve mudar em Portugal, para potenciar o seu desenvolvimento...
e a resposta não consiste na formação de linhas editoriais com conotações partidárias...

Por outro lado, uma palavra final para outras áreas, não menos nobres do jornalismo: além do jornalismo de investigação, do jornalismo que incide sobre a vida política no país e no estrangeiro, também existem outros sectores da vida da sociedade que são objecto da actividade dos jornalistas, como as áreas da economia, da justiça, das artes e letras, da investigação científica, do desporto, et alia..., essenciais para o desenvolvimento sustentável do país, particularmente, na era da globalização.

publicado por Langweg às 08:58
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Jornalismo em democracia



No dia do trabalhador, opto por homenagear os jornalistas, classe profissional que é indispensável para assegurar a qualidade do regime democrático.



A nobreza da profissão é realçada nesta conjuntura difícil, marcada pela crise económica e de mercantilização do «negócio da informação», na medida em que estas circunstâncias dificultam a independência dos jornalistas.


Neste sentido, João Miguel Tavares - jornalista -, escreveu hoje no Diário de Notícias, que «(...) Pina Moura disse mesmo que a "definição de uma orientação editorial" é "uma boa política que devia ser seguida em Portugal". Certamente que sim. Sobretudo numa altura em que temos um primeiro-ministro de esquerda a governar à direita. Quer dizer: vivemos numa época em que as ideologias se esfumaram, em que ninguém consegue vislumbrar diferenças substanciais entre PS e PSD, e agora há quem queria inventar divisões ideológicas para a comunicação social. Não brinquem comigo... (...)

Sob a capa da "transparência" o que se esconde, como sempre, é o desejo de controlar a informação que é transmitida ao público, de modo a prolongar a presença no poder. É um tique velho como o mundo, mas que agora pintou os lábios, compôs o cabelo, vestiu roupa colorida e se mascarou de "boa política editorial".

(...) o jornalismo - o bom jornalismo - sempre teve uma ideologia: ser do contra. Se o PS está no governo, é contra o PS. Se o PSD está no governo, é contra o PSD. É muito simples. Apesar de todas as falhas e de todos os compromissos, de todas as asneiras e de todas as omissões, o jornalismo é uma das mais belas e mais nobres profissões do mundo. Querer colá-lo ao combate partidário é apenas uma forma de o desmerecer e, em última análise, de o silenciar. Por isso convém relembrar, uma e outra vez, que a mordaça é para quem morde. Não é para os que denunciam quem mordeu."

Embora não assuma que o jornalismo se esgota no anti-poder, entendo que a função de informar, própria do jornalismo, permite salientar as virtudes e os defeitos do exercício dos poderes públicos, facilitando a escolha democrática e, mesmo, a administração da justiça.

Aquilo que alguns querem, pelos vistos, não será uma linha editorial ideológica, mas apenas e tão só a defesa de alguns que se encontram no poder político - independentemente de quaisquer fins ideológicos ou estritamente políticos -.

Um bom jornalismo, praticado num país com hábitos de leitura e de consumo da informação, contribui para o desenvolvimento da comunidade em que é praticado.

É fácil descobrir o que deve mudar em Portugal, para potenciar o seu desenvolvimento...
e a resposta não consiste na formação de linhas editoriais com conotações partidárias...

Por outro lado, uma palavra final para outras áreas, não menos nobres do jornalismo: além do jornalismo de investigação, do jornalismo que incide sobre a vida política no país e no estrangeiro, também existem outros sectores da vida da sociedade que são objecto da actividade dos jornalistas, como as áreas da economia, da justiça, das artes e letras, da investigação científica, do desporto, et alia..., essenciais para o desenvolvimento sustentável do país, particularmente, na era da globalização.

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